A cachaça que leva o apelido de um bom negociante

Turcana não vem da Turquia. Vem de um homem, de um apelido e de um jeito mineiro de fazer negócio.

Cachaça de alambique da Zona da Mata mineira, região de Ponte Nova / MG

O Turco de Urucânia

Toda cachaça de verdade tem dono, e a nossa tem nome e sobrenome. A Turcana nasceu das mãos de Paulo José de Carvalho, o Paulinho, filho de uma família de origem libanesa que se estabeleceu no interior de Minas Gerais.

No comércio das cidades pequenas, era comum chamar de "turco" quem vinha daquela parte do mundo. Foi assim que o Paulinho ganhou o apelido que nunca mais largou: para a região toda, ele virou o Turco, ou o Turquinho. Um nome que, no fim das contas, dizia mais sobre o jeito dele do que sobre a origem.

Turquinho fazia negócio e ganhava um amigo no mesmo aperto de mão.

Porque o Paulinho era negociante de nascença. Gostava da conversa, da barganha, do prazer de fechar um bom negócio, sempre no gingado de quem trata todo mundo bem. Homem de palavra, boa praça, do tipo que você faz negócio hoje e continua amigo depois. Na feira, no balcão ou na venda de uma garrafa, era sempre a mesma coisa: gente boa que sabia negociar.

De um apelido para uma marca

Quando o alambique da família começou a produzir cachaça na Zona da Mata mineira, faltava batizar aquilo. E não teve muita discussão: se a cachaça era do Turco, ela só podia ser a Turcana. O apelido de uma vida virou o nome do rótulo.

Por isso, quando alguém pergunta se "Turcana" tem a ver com a Turquia, a resposta é boa de contar: não tem. Tem a ver com um mineiro hospitaleiro, negociante e de origem libanesa, que emprestou o próprio apelido para a bebida que produzia com orgulho.

Feita no alambique, como manda a tradição

A Turcana é uma cachaça de alambique, produzida de forma artesanal em Urucânia, na região de Ponte Nova, um dos berços da tradição da cachaça mineira. A cana é colhida sem queima, o bagaço vira alimento para o gado e combustível para o próprio alambique, e a destilação segue o ritmo lento e cuidadoso que só o cobre e o tempo sabem dar.

Cada etapa, da colheita ao envase, passa pela mão de quem faz. O resultado é um destilado autêntico, aromático e equilibrado, registrado no Ministério da Agricultura e feito para representar bem a Zona da Mata mineira em qualquer mesa do Brasil.

Hoje a Turcana chega em garrafa e a granel, do bar de esquina à prateleira de quem aprecia uma boa cachaça, e vai para todo o Brasil. Mas o espírito continua o mesmo do Turquinho: fazer um bom negócio e ganhar um amigo.

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